Devia ter lido

O fim da primavera

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Estava eu ali sentada ainda digerindo tudo aquilo que me disse, era uma daquelas tardes que nos remete a infância, o Sol ardia lá  fora mas o calor era sutil, o vento soprava um ar fresco, seus cabelos ainda grandes balançavam, meus olhos já estavam enchendo de lágrimas  quando ele por fim decidiu ir embora.
 

Eu desabei mesmo, o amava, me arrastei no chão enquanto ele caminhava lentamente em direção a porta, esperneei, gritei até não ter mais voz, ele não se importou, foi embora sem levar nada, deixou tudo para trás.
Eu fiquei ali, esperei, pensando que voltaria, foram dias a fio, nem sequer um sinal, mas chorei até secar a última gota junto a porta ainda aberta.

Quando enfim resolvi fechá-la de uma vez e olhei a minha volta, minha pequena casa estava imunda, gastei horas esfregando crostas grossas de pó, de gordura, Estava tão acostumada com aquilo que esqueci a verdadeira cor por baixo da sujeira, me olhei no espelho e estava horrível, foi necessárias seis horas para ficar “aceitável”, enfim com a casa no lugar outra vez pude aproveitar e aprender apreciar cada pedacinho meu.

Me acostumei de novo, mas agora com tudo organizado, cada coisa no seu lugar, não havia mais tempo para pensar em sua partida pois me ocupava fazendo outras coisas, estava tudo em paz, estava tudo tranquilo até ele voltar…

Parecia ter acabado de sair de uma tempestade, os cabelos estavam molhados, sujos de lama assim como a camisa que marcava bem seu tronco forte e as calças marcando cada parte da perna forte de atleta, os pés sujos de barro, não havia nada que segurava nem nas mãos e muito menos nos braços, eu estava tomando meu chá da tarde quando chegou, levantei devagar e observei a expressão fria no rosto e a água suja pingando na soleira da porta sem saber o que fazer.

Fiz um gesto pedindo que esperasse com as mãos enquanto tentava raciocinar sobre tudo aquilo, era estranho tudo aquilo acontecendo ali, depois de tanto tempo, estava tudo limpo e organizado, ele não se encaixava mais ali, mas por dentro o coração inflamava, ardia, chamava por ele novamente, aquela era chance, a oportunidade…o aceitei de volta de braços estendidos, ele sujou toda casa de lama e não me importei, mas também foi difícil convencê-lo a retirar toda aquela sujeira, ele negava e dizia que tudo aquilo fazia parte dele e não havia nada demais, mas passando algumas semanas a casa estava imunda novamente, era como se o pesadelo voltasse.

Ele aceitou então se limpar para que tudo corresse da melhor maneira possível mas havia algo de errado, as coisas se quebravam facilmente em suas mãos por mais fortes que fossem, tudo ficava sujo ou encardido com facilidade, estava tudo uma confusão e ele estava ali, talvez d corpo mas não de alma.

Por fim, eu disse que ele precisava partir e não doeu nada dessa vez…

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